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CARTA 1: Dom Pedro, Maranhão, Brasil

  • 20 de jan. de 2015
  • 2 min de leitura

Caro Rémi:

Esta é a primeira vez que te escrevo oficialmente, dando continuidade à ideia de nos correspondermos à moda antiga usando os recursos disponíveis da tecnologia de nosso tempo. Já tentei isso outras vezes, com outras pessoas, porém o projeto sempre morreu na praia por uma ou outra razão. Oxalá juntos possamos fazer melhor desta vez!

Não te parece curioso que após um primeiro contato pouco simpático pelo Facebook de repente estejamos juntos num projeto de amizade por correspondência? Talvez até provemos definitivamente que as primeiras impressões não sejam necessariamente as que ficam - pelo menos não quando as pessoas se permitem conversar um pouco e ouvir uma à outra sem interferir no discurso alheio. Veremos!

Fazia um bom tempo que eu não escrevia uma carta como esta. Tem sido difícil encontrar quem se interesse em ouvir as verdades alheias, estando ao mesmo tempo disposto a falar as suas. Com efeito, pelo que li das tuas postagens no Facebook, intuo que és o tipo de gente que eu procurava para a rara tarefa de colocar as almas para conversarem. Na verdade, eu buscava alguém cuja realidade fosse diferente da minha, alguém que, situado em outro contexto, pudesse ver com seguro distanciamento as questões de meu quotidiano e vice-versa. Alguém que pudesse opinar sem um envolvimento emocional direto com as coisas de minha vida, outra voz, cuja importância crescesse à medida que contribuísse.

Nesta carta, portanto, apresento-te o que há de mais básico sobre mim mesmo. Sou brasileiro (muito embora não me encaixe no estereótipo do tipo), tenho 36 anos, trabalho como professor de idiomas modernos e teoria crítica da arte, também como coordenador de uma escola onde gosto muito de trabalhar; Faço uma pós-graduação em relações internacionais, porque a área me interessa muito; Gosto de cinema, de idiomas e de viajar; Escrevo contos e poemas; Sou divorciado; E acredito em Deus, mas cada vez menos nas religiões. É claro que se no todo eu fosse só isso, esta correspondência perderia a graça em pouco tempo, mas vamos acrescentando as coisas aos poucos, com perguntas que surgirão entre um e outro assunto e conclusões que se formarão ao longo da amizade que estamos começando. Daí vais descobrir que adoro salada, que música italiana influi positivamente sobre meu humor, que sou filho adotivo, etc.

Bem, por hora esta carta inaugural já tem o suficiente para cumprir seu papel como um primeiro passo em nosso projeto e aguardo ansioso tua resposta.

Atenciosamente,

David.

 
 
 

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